Verarte Contemporânea
INVITRO Esculturas Urbanas 2009

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Apresentamos este evento unico de Esculturas na Cidade de AVEIRO, 14 Esculturas Urbanas espalhadas pela cidade em zonas de pedonais interagindo com todos o circulam pela cidade.

Trajecto a iniciar na Praça da República (Paços do Concelho, 1 Escultura) seguindo para a Praça Marquês de Pombal (Governo Civil e Tribunal, 2 Esculturas) indo pela Estação Central dos CTT para o Largo Santa Joana (Museu Nacional, 1 Escultura);

A seguir dirigimo-nos para as Pontes em direcção ao Largo do Rossio (entrada o Jardim, 1 Escultura); logo a seguir irmos pela Praça 14 de Julho (entre os Arcos e a Igreja da Vera Cruz, 1 Escultura).

Tomando o sentido de subir a Avenida Lourenço Peixinho (Av. Central que liga as Pontes à Estação dos Comboios, 4 Esculturas); dai devemos ir em direcção ao Centro Cultural e de Congressos, Cais da Fonte Nova e zona verde envolvente (Antiga Fábrica Campos) onde estão mais 4 Esculturas Urbanas.

As Obras são do Escultor Luís Queimadela um artista com 30 anos de trabalho em Escultura e Pintura, com mais de 20 Esculturas Publicas instaladas em várias Cidades, Museus, Universidades, Instituições, Empresas e Colecções Particulares.

A universalidade dos corpos por Joana Queimadela

A obsolescência do corpo orgânico deixou de pertencer a uma realidade ficcional para tomar posição de verdade na sociedade pós-moderna. Trata-se de uma verdade cruel e de difícil aceitação para os mais conservadores, mas no entanto ela é real.

A sociedade pós-moderna destruiu a noção de corpo clássico, reconhecendo-o como débil, fraco, diminuto e deficiente, propondo a sua mescla ao mecânico que promete aumentar a capacidade de desempenho e a sua durabilidade, surgindo então o denominado de corpo protésico, um corpo caracterizado pela união da matéria e da técnica numa harmonia perfeita.

Com posição mais extremista ainda temos alguns pensadores que trabalham para a totaI eliminação da organicidade, ou seja, na construção de um corpo que seja totalmente livre dessa massa que só se constitui como estorvo. O cyborg é a figura. Não o denominamos de corpo por uma dificuldade imposta pelo conceito clássico que ainda habita o nosso imaginário.

O corpo protésico e a figura do cyborg, mais do que a superação da carne e o alargamento das potencialidades, ambicionam alcançar a tão almejada e sonhada imortalidade. Perto de passar do reino da utopia ao da realidade esta ideia de vida eterna, adivinha-se paradoxal, como nos alerta José Saramago no seu romance As Intermitências da Morte. Na presente obra Luis Queimadela, não procura um corpo eterno, imortal e perfeito, mas um corpo universal, ambivalente e cósmico. Trata-se de um corpo grotesco, que não procura a verticalidade mas a horizontalidade como caminho, sendo no entanto um corpo a-histórico. Estamos na presença de corpos que não têm o nascimento e a morte como principio e fim, mas como fenómenos de renascimento e renovação, momentos em que os corpos se misturam, se envolvem, se fundem.

Estes corpos (re) presentados por todas estas peças são um único corpo, são - O CORPO. As peças que o artista nos propõe buscam esse corpo cósmico que abandona também ele a organicidade e a materialidade do mundo por uma revolta evidente pelo isolamento e clausura contemporânea, mas no entanto não procura nas novas tecnologias meios para evoluir ou se transformar.

A representação dos corpos através dos seus extremos, rosto e pés, está relacionado com o conceito de corpo cósmico e com o rosto como elemento da singularidade do sujeito. A estrutura quadrangular com que o artista representa o restante corpo evidencia a clausura pós-moderna e a sufocação provocada pelo controlo politico.

Esta osmose perfeita entre o sentimento puro de beleza, no contacto directo com a obra e de estranhamento, provocado pela angustia e a clausura das figuras, revela-nos a sublimidade da obra que corroborando com Vitor Hugo, está na harmonia dos contrários.