Apresentamos este evento unico de Esculturas na Cidade de AVEIRO, 14 Esculturas Urbanas espalhadas pela cidade em zonas de pedonais interagindo com todos o circulam pela cidade.
Trajecto a iniciar na Praça da República (Paços do Concelho, 1 Escultura) seguindo para a Praça Marquês de Pombal (Governo Civil e Tribunal, 2 Esculturas) indo pela Estação Central dos CTT para o Largo Santa Joana (Museu Nacional, 1 Escultura);
A seguir dirigimo-nos para as Pontes em direcção ao Largo do Rossio (entrada o Jardim, 1 Escultura); logo a seguir irmos pela Praça 14 de Julho (entre os Arcos e a Igreja da Vera Cruz, 1 Escultura).
Tomando o sentido de subir a Avenida Lourenço Peixinho (Av. Central que liga as Pontes à Estação dos Comboios, 4 Esculturas); dai devemos ir em direcção ao Centro Cultural e de Congressos, Cais da Fonte Nova e zona verde envolvente (Antiga Fábrica Campos) onde estão mais 4 Esculturas Urbanas.
As Obras sĂŁo do Escultor LuĂs Queimadela um artista com 30 anos de trabalho em Escultura e Pintura, com mais de 20 Esculturas Publicas instaladas em várias Cidades, Museus, Universidades, Instituições, Empresas e Colecções Particulares.
A universalidade dos corpos por Joana Queimadela
A obsolescência do corpo orgânico deixou de pertencer a uma realidade ficcional
para tomar posição de verdade na sociedade pós-moderna. Trata-se de uma verdade cruel e
de difícil aceitação para os mais conservadores, mas no entanto ela é real.
A sociedade pós-moderna destruiu a noção de corpo clássico, reconhecendo-o
como débil, fraco, diminuto e deficiente, propondo a sua mescla ao mecânico que promete
aumentar a capacidade de desempenho e a sua durabilidade, surgindo então o denominado
de corpo protésico, um corpo caracterizado pela união da matéria e da técnica numa harmonia
perfeita.
Com posição mais extremista ainda temos alguns pensadores que trabalham para a
totaI eliminação da organicidade, ou seja, na construção de um corpo que seja totalmente livre
dessa massa que só se constitui como estorvo. O cyborg é a figura. Não o denominamos de
corpo por uma dificuldade imposta pelo conceito clássico que ainda habita o nosso imaginário.
O corpo protésico e a figura do cyborg, mais do que a superação da carne e o
alargamento das potencialidades, ambicionam alcançar a tão almejada e sonhada
imortalidade. Perto de passar do reino da utopia ao da realidade esta ideia de vida eterna,
adivinha-se paradoxal, como nos alerta José Saramago no seu romance As Intermitências da
Morte.
Na presente obra Luis Queimadela, não procura um corpo eterno, imortal e
perfeito, mas um corpo universal, ambivalente e cósmico. Trata-se de um corpo grotesco, que
não procura a verticalidade mas a horizontalidade como caminho, sendo no entanto um corpo
a-histórico. Estamos na presença de corpos que não têm o nascimento e a morte como
principio e fim, mas como fenómenos de renascimento e renovação, momentos em que os
corpos se misturam, se envolvem, se fundem.
Estes corpos (re) presentados por todas estas peças são um único corpo, são -
O CORPO. As peças que o artista nos propõe buscam esse corpo cósmico que abandona
também ele a organicidade e a materialidade do mundo por uma revolta evidente pelo
isolamento e clausura contemporânea, mas no entanto não procura nas novas tecnologias
meios para evoluir ou se transformar.
A representação dos corpos através dos seus extremos, rosto e pés, está
relacionado com o conceito de corpo cósmico e com o rosto como elemento da singularidade
do sujeito. A estrutura quadrangular com que o artista representa o restante corpo evidencia
a clausura pós-moderna e a sufocação provocada pelo controlo politico.
Esta osmose perfeita entre o sentimento puro de beleza, no contacto directo com
a obra e de estranhamento, provocado pela angustia e a clausura das figuras, revela-nos a
sublimidade da obra que corroborando com Vitor Hugo, está na harmonia dos contrários.